Além de estimular habilidades, as brincadeiras resgatam tradições e proporcionam aos pequenos a exploração de novos espaços e modos de expressão.
Cultura da Infância: ato de brincar estimula a autonomia e habilidades sociais
A cultura é responsável por englobar diversas áreas de estudos, como as artes e as letras, e temas sociais, como os modos de vida, direitos fundamentais da sociedade e seus sistemas de valores, tradições e crenças, além de possibilitar ao indivíduo a capacidade de refletir sobre si mesmo, conforme debatido na Conferência Mundial sobre Políticas Culturais, da Unesco. Por oferecer tais conhecimentos, se faz necessária a inclusão de atividades lúdicas que trabalhem a Cultura da Infância desde os anos iniciais, dentro e fora da escola, para que as crianças compreendam que o mundo é formado pela diversidade e que elas podem se tornar cidadãs com visões, pensamentos e sentimentos próprios, capazes de produzir diferentes formas de expressão cultural por múltiplas linguagens – como os desenhos, as falas e as brincadeiras.
Segundo um estudo do Instituto NeuroSaber sobre a importância de brincar, as brincadeiras enquanto reforço à Cultura da Infância são essenciais para o desenvolvimento cognitivo e emocional das crianças, a expansão de seu vocabulário e o estímulo ao uso da linguagem e à autonomia, além de aprimorar habilidades sociais, motoras, de pré-leitura e até as matemáticas das crianças. “Ao abordar, mesmo de forma sutil, a Cultura da Infância durante as atividades e brincadeiras, buscamos enraizar valores nos pequenos para torná-los expressivos, que se manifestam de maneira espontânea a partir de suas visões, pensamentos e sentimentos sobre o mundo e seu entorno”, explica Talita Espíndula, psicóloga especialista em crianças e educadora parental da Upuerê Educação Infantil.
O que é a Cultura da Infância?
A Cultura da Infância é composta por três aspectos essenciais para o processo de construção das crianças enquanto indivíduos no mundo: o que é produzido por ela, sendo protagonista ao se expressar da forma que quiser, como em desenhos; o patrimônio cultural da infância, exercidos a partir de histórias, cantigas, brinquedos e músicas de diferentes lugares e épocas; e produções feitas por adultos que oferecem diretamente ao público infantil experiências diversas, como assistir a uma peça ou a uma apresentação.
Qual é a importância do brincar?
Segundo o artigo do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Simbolismo, Infância e Desenvolvimento (NEPSID), brincar é essencial para as crianças por ser uma das linguagens mais expressivas abordadas e devem existir momentos para que esta prática seja frequente, tanto dentro quanto fora das escolas. “Enquanto brincam, as crianças experimentam novas formas de se comunicar umas com as outras, a partir da brincadeira escolhida, resgatam valores familiares, passados de geração em geração, de forma a reforçar a Cultura da Infância. A brincadeira, neste quesito, é um instrumento de desenvolvimento físico, social, mental, cultural e afetivo”, afirma a psicóloga.
O ato de brincar nos anos iniciais promove:
- A socialização entre as crianças;
- O desenvolvimento físico, cognitivo, emocional e moral das crianças;
- O estímulo da criatividade e da autonomia;
- Contato com a imaginação, fantasia e o desenvolvimento de habilidades;
- Contribuir para o contato entre criança e natureza quando as brincadeiras são ao ar livre.
O brincar em meio à natureza
A adoção de brincadeiras ao ar livre na rotina dos pequenos é uma tarefa que proporciona a eles o prazer de explorar, conhecer novos espaços e estar em contato direto com a natureza, o que não é mais tão visto atualmente. “Estar em um ambiente rico em natureza, com muito verde e área livre para os pequenos brincarem e descobrirem o quanto quiserem, é importante para a saúde física e mental dos pequenos, além de terem um desenvolvimento mais saudável e com mais liberdade e autonomia do que em um ambiente fechado”, detalha Talita.