Não importa a fase da vida, ela é composta pelo início e pelo encerramento de ciclos. Cada novo começo é uma oportunidade para conhecer novos lugares, fazer novos amigos, construir mais um pedaço do caminho rumo a um futuro promissor. E os ciclos já se iniciam na primeira infância: o desmame, o desfralde, o início...
Ritos de passagem impactam emoções e pensamentos infantis
Não importa a fase da vida, ela é composta pelo início e pelo encerramento de ciclos. Cada novo começo é uma oportunidade para conhecer novos lugares, fazer novos amigos, construir mais um pedaço do caminho rumo a um futuro promissor. E os ciclos já se iniciam na primeira infância: o desmame, o desfralde, o início na educação infantil, a passagem para o ensino fundamental.
Neste momento de transição, que corresponde aos cinco e aos seis anos de idade, é comum que as crianças passem a temer as mudanças que estão a caminho, especialmente quando há a troca de ambientes escolares, a criação de novas rotinas e amizades. Tais medos possibilitam a geração de inquietações que podem permanecer ao longo de outras fases do crescimento, como a adolescência.
Um estudo desenvolvido em parceria pela Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico com mais de 2.500 crianças aponta que 80% das que apresentam alguma inquietação relacionada às emoções e ao psicológico infantil não realizavam o acompanhamento necessário, o que pode propiciar o prolongamento desnecessário e incerto das aflições.
Aparecida Epichin explica que as emoções e os pensamentos infantis podem entrar em conflito, gerando incertezas ao vivenciar um rito de passagem, especialmente entre a educação infantil e o ensino fundamental.
“Com as mudanças que vão acontecer, as crianças começam a se sentir receosas porque deixam de ver os amigos que fizeram na educação infantil, não conhecem o novo ambiente escolar, se sentem inibidos em relação aos novos educadores e colegas, não reconhecem aquela transição como parte da rotina delas. Nesse momento de incertezas, é preciso ter atenção às emoções e às falas das crianças, para reconhecer em que momentos o receio em vivenciar a nova fase da vida escolar pode atrapalhar o desenvolvimento e o aprendizado infantil”, comenta a diretora pedagógica da Upuerê Educação Infantil.
Como os pais podem colaborar com a transição escolar?
A profissional reforça que o acompanhamento dos pais durante o rito de passagem dos filhos entre a educação infantil e o ensino fundamental é essencial para que as crianças se sintam seguras e confiantes para vivenciar a nova fase.
“Os pais vivem junto com as crianças esse momento de transição, também se sentem receosos com o momento que virá; ficam em dúvida se os filhos vão se adaptar ao novo ambiente, como vai ser a nova experiência, como vão se sentir em relação às mudanças. Por isso, eles são fundamentais para essa transição, para oferecerem às crianças acolhimento, segurança e confiança. Uma palavra de estímulo para elas já pode fazer a diferença no modo como elas veem a nova escola, por exemplo”, aconselha Aparecida.